07/02/2012 13:15
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Responsabilidade Social
Responsabilidade Social
Manual do Cliente: Cooperativismo
O que é Cooperatismo?

A cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, por meio da criação de uma sociedade democrática e coletiva.

As empresas cooperativas baseiam-se em valores de ajuda mútua, solidariedade, democracia e participação. Tradicionalmente, os cooperantes acreditam nos valores éticos de honestidade, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante.

O cooperativismo objetiva o desenvolvimento do ser humano, das famílias e da comunidade. No contexto mundial, onde predomina a miséria da maioria da população, situa-se como um instrumento acessível para as camadas mais pobres da população modificarem sua realidade.

A cooperativa busca satisfazer não somente a necessidade de consumo por um bem ou serviço mas também a necessidade social e educativa. É uma sociedade que pode ser criada por um pequeno grupo de pessoas, que formarão, com recursos individuais, um capital coletivo que deve garantir suas atividades.

Diferencia dos demais tipos de sociedades por ser, ao mesmo tempo, uma associação de pessoas e também um negócio. Para conseguir bons resultados deverá equilibrar essa dupla característica - o aspecto social e o econômico, buscando sempre o aperfeiçoamento de suas atividades e filosofia.

Nesse sentido, o princípio da educação permanente deve ser traduzir em iniciativas que objetivem preparar o homem para a vida e para o exercício da cidadania, capacitando-o, ainda, para atuar no mercado de forma empresarial e competitiva.

PRINCÍPIOS

Para participar do desenvolvimento da sociedade de forma consciente e organizada é necessário que discutamos em grupo como entendemos a vida de nossa comunidade, definindo o futuro que desejamos. Desde o início do cooperativismo a troca de idéias entre as pessoas, para solucionarem problemas comuns, foi colocada como prática necessária e insubstituível.

Ao se apropriarem do saber as pessoas se apropriam do poder de modificar a realidade, provando ser possível conquistar pelas próprias mãos um mundo melhor e mais digno.

Esse hábito democrático acompanha o crescimento do movimento cooperativista e tornou possível a permanente articulação de seus representantes, enfatizada em sucessivos congressos, desde o século passado.

Em 1995, comemorou-se um século de existência da Aliança Cooperativa Internacional - ACI. No congresso comemorativo dessa data histórica, mais uma vez associados de todo o mundo debateram sobre importante questões para o fortalecimento da prática cooperativista, refletindo sobre os objetivos de suas organizações.

Durante o evento aprovaram conceitos e princípios, não muito diferentes daqueles apresentados pelos pioneiros de Rochdale, mas que devem estar sempre em pauta para que, atualizados e aperfeiçoados, sejam a base das estratégias de desenvolvimento do sistema de cooperativas existente nos diversos países.

Atuais princípios do cooperativismo

Os princípios são as linhas orientadoras da prática cooperativista:

Adesão voluntária e livre

As cooperativas são organizações abertas à participação de todos, independentemente de sexo, raça, classe social, opção política ou religiosa. Para participar, a pessoa deve conhecer as normas de funcionamento e decidir se tem condições de cumprir os acordos estabelecidos pela maioria.

Os cooperantes, reunidos em assembléia, discutem e votam os objetivos e metas do trabalho conjunto, bem como elegem os representantes que irão administrar a sociedade.Cada associado representa um voto, não importando se alguns detenham mais cotas do que outros.

Participação econômica dos membros

Todos contribuem igualmente para a formação do capital da cooperativa, o qual é controlado democraticamente. Se a cooperativa é bem administrada e obtém uma receita maior do as despesas, esses rendimentos serão divididos entre os sócios, na proporção em que cada um operou com a cooperativa. O rendimento poderá também ser destinado para investimentos na própria cooperativa ou para outras aplicações, sempre de acordo com a decisão tomada na assembléia.

Autonomia e independência

O funcionamento da empresa é controlado pelos seus sócios, que são os donos do negócio. Qualquer acordo firmado com outras organizações e empresas deve garantir e manter essa condição.

A autonomia assegurada pela constituição brasileira concede às cooperativas a liberdade de gerar seus próprios destinos.

Educação, formação e informação

É objetivo permanente da cooperativa destinar ações e recursos para formar seus associados, capacitando-os para a prática cooperativista e para o uso de equipamentos e técnicas no processo produtivo e comercial. Ao mesmo tempo, buscam informar o público sobre as vantagens da cooperação organizada, estimulando o ensino de cooperativismo nas escolas de 1º e 2º graus.

Intercooperação

Para o fortalecimento do cooperativismo é importante que haja intercâmbio de informações, produtos e serviços, viabilizando o setor como atividade sócio-econômica. Por outro lado, organizadas em entidades representativas, formadas para contribuir no seu desenvolvimento, determinam avanços e conquistas para o movimento cooperativista nos níveis local e internacional.

Interesse pela comunidade

As cooperativas trabalham para o bem-estar de suas comunidades, através da execução de programas sócio-culturais, realizados em parceria com o governo e outras entidades civis.

GESTÃO COOPERATIVISTA
Os associados são os donos da empresa cooperativa. Reunidos em assembléia geral, órgão máximo de decisão, definem pelo voto os objetivos e funcionamento do negócio. As decisões tomadas nestas reuniões gerais devem ser respeitadas e cumpridas pela Diretoria e demais associados, quer estejam ou não presentes às assembléias.

Para administrar a cooperativa os associados elegem uma diretoria e um conselho fiscal. É importante que os dirigentes sejam escolhidos por apresentarem real expressão de liderança, conhecimento e vivência dos princípios básicos do cooperativismo. Devem conhecer a legislação vigente e se empenharem no exercício das atividades de planejamento, organização, direção e controle da empresa.

Conforme o volume e complexidade dos negócios, a diretoria pode contratar pessoal externo à cooperativa para gerenciar áreas de trabalho que exijam conhecimentos especializados ou habilidades técnicas comprovadas – do mesmo modo como contratam mão-de-obra para serviços operacionais, quando necessário.

Estrutura Administrativa

Basicamente, qualquer cooperativa, para o bom desenvolvimento de seus trabalhos, utiliza a seguinte estruturação:

Assembléia Geral

É uma reunião de todos os associados e constitui o principal fórum de decisão da cooperativa. A igualdade do poder de voto de cada sócio na definição dos interesses da empresa representa o princípio da gestão democrática do empreendimento cooperativista.

Diretoria ou Conselho de Administração.

Órgão superior na administração da cooperativa, formado por cooperantes eleitos pelos demais associados, responsável pela execução das propostas aprovadas pela Assembléia Geral, podendo ainda indicar uma diretoria executiva, integrada por três de seus membros, com a função de administrar o dia-a-dia da cooperativa.

Conselho Fiscal

Órgão independente dentro da cooperativa, cabe-lhe fiscalizar, em nome dos demais associados, a administração do patrimônio e das operações da cooperativa.

Órgãos Auxiliares da Administração

Constituídos por comitês, comissões ou núcleos, com atribuições específicas.

Capital

Por estar participando do mercado, uma cooperativa deve garantir suas atividades empresariais.

O desenvolvimento dos serviços a serem prestados a seus associados depende do desempenho financeiro da sociedade.

É preciso incentivar a capitalização, pois na condição de empresários os sócios devem aplicar recursos na empresa que lhes pertence. Devem investir e garantir o capital de giro, para poder sempre honrar seus compromissos, sem depender de empréstimo de terceiros.

O princípio de cada pessoa representar um voto na empresa cooperativa faz do associado seu principal elemento.

Essa gestão democrática significa que o dinheiro é utilizado para servir ao cooperante, e não é o que determina o seu poder.

A economia cooperativa disciplina o capital e concentra-se no homem sócio, que em igualdade com todos os demais decide os rumos de sua vida econômica, conforme os objetivos comuns.

Segundo a legislação, o volume de capital de cada sócio deve ser remunerado a uma taxa anual limitada, no máximo, até 12% ao ano. Limitando o juro sobre o capital impede-se a especulação financeira.

Na cooperativa, o capital deve ser fator de produção, e não de renda financeira.

Capital subscrito

Ao formar ou ingressar numa cooperativa, a pessoa assume uma obrigação financeira. É sua cota de participação no negócio, intransferível a terceiros. Para preservar seu valor original, essa cota deve ser necessariamente corrigida, principalmente quando ocorrer inflação.

Capital Integralizado

É a integralização do valor subscrito pelo associado ao capital da cooperativa, pode ser feito de uma só vez ou em parcelas.

Os próprios associados decidem como poderá ser pago esse compromisso, podendo, inclusive, não ser necessariamente através de dinheiro.

DIREITOS E DEVERES

A participação é o objetivo e o meio para se criar e manter uma cooperativa. Objetivo, porque é justamente com a finalidade de participar da riqueza e benefícios gerados pelo seu trabalho que as pessoas se unem nessa forma de sociedade. E meio, porque somente através da efetiva participação de todos os sócios se obterá o sucesso das metas sócio-econômicas do empreendimento.

Para se avaliar o funcionamento de uma cooperativa, um aspecto importante a ser observado é o de como e em que nível ocorre a participação de seus associados.

O envolvimento do associado deve ir além da utilização dos serviços oferecidos e de sua frequência em reuniões e assembléias. Ele deve participar de encontros, seminários e outros eventos que permitam o melhor conhecimento de sua cooperativa. Deve buscar a continua capacitação para o trabalho, como também para assumir, em determinados períodos, a posição de dirigente ou membro das comissões.

Através do contato pessoal e direto com outros associados, deve discutir sobre as atuais informações do movimento cooperativista e acompanhar a situação do mercado, da economia de sua região e do seu país.

É importante ter esclarecimentos para votar com conhecimento de causa, bem como saber escolher os melhores caminhos e enxergar as melhores oportunidades.
O Ato Cooperativo

O que é o Ato Cooperativo? É a fusão do trabalho conjunto sócio x empresa na busca da satisfação das necessidades mútuas. O ato cooperativo é a ação partícipe onde, tanto o sócio como a cooperativa, operam em reciprocidade.

O Ato Cooperativo, por ser executado por pessoas, o sócio comprador ou vendedor e a própria cooperativa, é caracterizado como sendo um ato sem fins lucrativos. Em assim sendo, onde não há lucro, não há especulação, não há discriminação e não há tributação.

A cooperativa é uma sociedade de pessoas que decidem o negócio, a atividade, o produto, a estrutura, os direitos, as responsabilidades.

A cooperativa é uma sociedade de pessoas; pessoas livres que decidem e escolhem seus dirigentes, suas leis e suas normas. Cada sócio, então, tem a cooperativa que merece.

Sócio omisso, individualista, oportunista e descomprometido, terá, como efeito, uma cooperativa pobre, morosa, ineficiente e problemática.

Sócio autêntico, participativo, comprometido e convicto, terá, como efeito, uma cooperativa ágil, dinâmica, prestativa, eficaz e eficiente.
Doze Virtudes

À ética e organização de trabalho proposta pelos tecelões ingleses somaram-se outras idéias progressistas e humanistas, possibilitando que em 1886, durante o II Congresso das Cooperativas de Consumo realizado em Lyon, na França, fossem aprovadas, junto aos participantes - associados, trabalhadores, professores e estudantes - as "doze virtudes" da doutrina cooperativista, que por sua atualidade merecem ser conhecidos:

Viver melhor
Através da solução coletiva dos problemas.

Pagar a dinheiro
Este sadio hábito evita o endividamento que gera a dependência.

Poupar sem sofrimento
A satisfação das necessidades dos cooperados deve ser prioritária, isso é importante para a definição do que pode ser feito com as sobras.

Suprimir os parasitas
Afastar os atravessadores na compra e na venda de produtos e serviços.

Combater o alcoolismo
Viver de maneira sadia, evitando os vícios e enfrentando a realidade, com coragem.

Integrar as mulheres nas questões sociais
Ressalta a importância da participação feminina.

Educar economicamente o povo
A educação é uma ferramenta para o desenvolvimento do homem.

Facilitar a todos o acesso à propriedade
É essencial unir esforços para conquistar os meios de produção.

Reconstituir uma propriedade coletiva
Para ter acesso à propriedade, o passo inicial é investir em um patrimônio coletivo.

Estabelecer o justo preço
O trabalho tem de ser remunerado e os preços definidos sem intenção especuladora.

Eliminar o lucro capitalista
O objetivo da produção é a satisfação das necessidades humanas.

Abolir os conflitos
As disputas diminuem pelo fato de que o associado é dono e usuário da cooperativa.
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